Depois da gravidez, encontrar o caminho de volta para o velho jeans, a pele uniforme e o corpo sem marcas pode ser mais simples do que parece. Para chegar lá, basta incorporar à rotina hábitos que ajudam a tratar da pele e do corpo. Além dos benefícios estéticos, esses cuidados elevam a auto-estima e beneficiam tanto a mãe quanto o bebê.
Voltar à boa forma depois do parto depende, e muito, dos hábitos adotados durante a gestação. Nesses nove meses, o pior vilão, segundo os especialistas, é o excesso de gordura armazenada. 'Quanto mais se engorda na gravidez, mais difícil é voltar à forma depois do nascimento do bebê', diz Wladimir Taborda, coordenador de ginecologia e obstetrícia do Hospital Albert Einstein e autor do livro 'A Bíblia da Gravidez' (Editora CMS, 392 págs., R$ 139). Isso não significa adotar uma dieta rigorosa. Ganhar alguns quilos extras nessa fase é mais do que comum -aliás, é necessário. A maior parte dos especialistas considera normal o ganho de cerca de 12 quilos. Mas esse valor não é regra, vai depender do índice de massa corpórea (IMC, que é o peso dividido pela altura ao quadrado) antes da gestação. Ou seja, mulheres que estavam muito acima do peso no início da gravidez devem tomar cuidado para não ultrapassar essa média. Já quem estava bem abaixo pode ir além dos 12 quilos.
Logo depois do parto, a mulher perde, em média, sete quilos. O parto normal, sinônimo de recuperação rápida, é um ponto a favor do retorno à forma física. 'Se o parto for natural, no dia seguinte ao nascimento do bebê a mulher já pode caminhar, em passos lentos', afirma Taborda. Quando se opta pela cesariana, é preciso dar um tempo para o corpo se recompor totalmente da cirurgia -em média, 60 dias. Amamentar também ajuda a acabar com a gordura a mais, pois o organismo funciona em ritmo acelerado para produzir o leite. Vale lembrar que, após nove meses se preparando para a chegada do bebê, o corpo precisa de seis semanas para que o útero volte ao tamanho normal e os hormônios se estabilizem. Saiba quais são os principais tratamentos, cremes e dicas de nutrição que devem ser adotados durante e depois da gestação para entrar em forma.
ESTRIAS
Nenhum tratamento consegue eliminar as estrias, mas é possível suavizá-las e deixá-las até 90% invisíveis.
DURANTE: esses sinais aparecem devido ao estiramento excessivo da pele, que provoca o rompimento das fibras elásticas e colágenas. Na gravidez, isso acontece com mais freqüência na região dos seios, barriga e coxas, locais que concentram maior aumento de peso. 'Quanto menos você engordar, mais longe ficará do limite máximo de estiramento da pele', diz o dermatologista Otávio Macedo. Apesar da herança genética contar muito para o aparecimento dessas marcas, não engordar além do recomendado pelo médico é o primeiro passo para terminar a gravidez sem estrias. Além disso, é importante usar, até para dormir, sutiã com alças e bojos reforçados, que dão maior sustentação aos seios. Pelo menos duas vezes por dia, aplique cremes hidratantes à base de óleos (avelã, semente de uva, macadâmia e amêndoas), vitamina E, uréia e silicone, que deixam a pele mais resistente ao estiramento. Esses produtos podem ser manipulados por dermatologistas ou encontrados nas linhas específicas para gestantes de algumas marcas. Entre os bons exemplos estão Emulsão Corporal para Gestantes, linha Mamãe e Bebê, Natura, R$ 37; Hidratante Gestante, Ligia Kogos, R$ 39; Gestante Hidratante Corporal, Metaphyta, R$ 8 e o Body Contouring Creme da Herbalife.
DEPOIS: nenhum tratamento elimina as estrias completamente, mas é possível suavizá-las, tornando-as mais finas e menos visíveis. Durante a fase de amamentação, só estão liberados os cremes já usados durante a gestação. Esses produtos mantêm a pele hidratada e com boa elasticidade. Passado esse período, é hora de avaliar, junto com o dermatologista, o melhor método para reduzir as estrias. Para conseguir melhores resultados, os especialistas aconselham associar diferentes técnicas que estimulam a produção das fibras elásticas. É preciso paciência e disposição, porque esses tratamentos podem ser longos e, algumas vezes, doloridos. Entre os mais usados estão:- Ácido retinóico tópico: a aplicação de cremes com ácido é feita à noite. Pela manhã é preciso retirar o produto, hidratar a pele e, em seguida, protegê-la com bloqueador solar. O tratamento é demorado (cerca de um ano) e provoca uma leve descamação.- Microdermoabrasão (peelings de cristais): durante esse tratamento são utilizados jatos de microcristais de óxido de alumínio, para promover uma esfoliação superficial na pele.- Peelings químicos superficiais: são feitos com ácidos, em concentrações baixas, que descamam a pele de maneira suave, incentivando a formação de novas fibras.- Laser (Cool Touch): como o tratamento provoca uma certa ardência, é aplicada uma pomada anestésica no local. Por meio de um pequeno aparelho, a pele recebe um spray gelado, para congelar a epiderme (camada superficial da pele) e permitir que o laser atue na derme (camada intermediária), estimulando a produção de colágeno.- Intradermoterapia (antiga mesoterapia): substâncias como vitamina C, hidrolisado de colágeno e elastina são injetadas na pele com agulhas finíssimas para preencher os sulcos deixados pelas estrias. As aplicações são doloridas e deixam hematomas, por isso o sol deve ser evitado por alguns dias.
MANCHAS
DURANTE: as alterações hormonais que acontecem na gestação tornam a pele propensa ao aparecimento de manchas escuras (cloasmas) nas bochechas, testa e buço. Essas manchas são desencadeadas pela exposição aos raios solares. Por isso, a melhor maneira de preveni-las é usar filtro solar com fator de proteção alto, no mínimo 15. O produto deve ser aplicado pela manhã e repassado no decorrer do dia.Durante a gestação, está proibido o uso de alguns princípios ativos que podem prejudicar o bebê, como o ácido retinóico. Somente se o obstetra permitir, é possível combater as manchas nesse período com cremes à base de substâncias clareadoras (hidroquinona, ácido glicólico e vitamina C). 'O ideal é aplicar o creme de três a quatro vezes por semana e não esquecer de usar o protetor solar', diz a dermatologista Ligia Kogos.
DEPOIS: em alguns casos, após normalizadas as taxas hormonais, as manchas desaparecem sozinhas. Quando isso não acontece, sempre com o consentimento do médico, a mãe pode optar pelo uso de cremes com substâncias clareadoras. Se mesmo assim o problema persistir, poderá ser combatido com outros métodos, mas apenas depois do período de amamentação. Entre os mais eficazes estão a aplicação de ácido retinóico de uso tópico, os peelings seriados, a microdermoabrasão e o laser, como o novo Fraxel. Essa novidade age localmente, nas camadas superficial e intermediária da pele, onde se concentram as células pigmentadas. O uso de bloqueador solar continua imprescindível, caso contrário as manchas podem reaparecer.
ALIMENTAÇÃO
A gestante deve evitar bebidas com cafeína e ingerir feijões e vegetais
DURANTE: gestantes não devem comer mais, mas devem comer melhor. Todos os componentes da pirâmide alimentar precisam estar presentes no menu: carboidratos (arroz, farinhas, pães, cereais), proteínas (carnes, ovos e leites), vitaminas e minerais (frutas, verduras e legumes). A dieta equilibrada inclui cinco a seis refeições ao dia, para controlar a fome excessiva e os exageros. 'A gestante deve evitar café e chás ricos em cafeína, como o chá preto, bebidas alcoólicas, carnes cruas e adoçantes', diz a nutricionista Heloisa Guarita, da RG Nutri Consultoria (SP). Já carnes, feijões e vegetais com coloração verde-escura são obrigatórios, porque são ricos em ferro e ajudam a barrar a anemia, comum nessa fase. O ideal é beber, na hora das refeições, um copo de suco de frutas ácidas, porque a vitamina C melhora a absorção de ferro. Doces e alimentos gordurosos devem ser evitados.
DEPOIS: durante a amamentação, além de consumir muita proteína, é importante acrescentar na dieta minerais como o ferro, encontrado em carnes vermelhas, peixes, gema de ovo, grãos integrais, espinafre, cereais matinais e legumes. Quem amamenta também necessita de uma maior quantidade de líquidos, de seis a dez copos por dia. Os médicos são totalmente contra dietas drásticas para emagrecer no pós-parto, porque isso pode causar redução de vitaminas e minerais no organismo. Se a idéia é eliminar os excessos acumulados durante a gestação, os especialistas recomendam uma ingestão diária de 2.000 a 2.200 calorias. Esse valor pode ser reduzido gradualmente, semana a semana, até chegar a 1.800 calorias diárias -mas não antes de seis a oito semanas após o parto.
EXERCÍCIOS
DURANTE: Durante a gestação, os treinos devem ser feitos com pouco peso. A prática de uma atividade física ajuda a controlar o excesso de peso e também reduz as dores nas costas. É preciso apenas evitar esportes de impacto, como tênis, squash e corrida, nos quais o risco de queda é grande. A ioga é ótima alternativa, porque ajuda a melhorar a flexibilidade. Musculação e pilates também são indicados, mas com pouca carga de peso.
Para quem é sedentária e decidiu aderir à malhação durante a gestação, a personal trainer Rita Amaral, professora da Cia Athletica, recomenda começar com atividades feitas dentro da água, como a hidroginástica, que tem baixo impacto. Mesmo as malhadoras de carteirinha devem conversar com o seu médico antes de retomar a prática. Com a proximidade do parto, os exercícios têm de ser reduzidos. A partir do terceiro trimestre de gestação, a mulher fica naturalmente mais cansada. Os médicos salientam que a gestante nunca deve fazer um esforço maior do que o habitual e deve parar caso sinta qualquer tipo de dor, inchaço excessivo e cansaço. Esse é um período em que toda a atenção do organismo está voltada para o bebê.
DEPOIS: 'Se a gestação foi tranqüila e o parto também, cerca de duas semanas são suficientes para retornar às atividades físicas. Dá para recomeçar com alongamentos e caminhadas', explica a personal trainer Carla Lívia. Nessa retomada, sempre com o consentimento do médico, os exercícios localizados devem ser feitos com cautela e pouco peso. Mulheres que fizeram cesariana precisam esperar dez semanas para fazer exercícios mais intensos no abdome. Isso porque a incisão precisa cicatrizar totalmente. Caso a mulher sinta qualquer tipo de dor durante o exercício, não deve continuar.
PARA EVITAR INCHAÇO
Durante a gravidez é normal que a gestante acumule maior quantidade de líquidos, principalmente nos meses próximos ao parto. Pés, tornozelos, mãos e dedos são as partes do corpo que ficam mais inchadas. Esse quadro piora sobretudo no final da tarde e nos dias quentes. Uma opção para contornar o problema é a drenagem linfática. Essa técnica ajuda a liberar o excesso de líquidos que se acumula nos tecidos. Reduzir a quantidade de sal na alimentação e alimentos em conserva, usar meias elásticas, evitar roupas e sapatos apertados, além de não ficar de pé ou sentada por muito tempo, também ajudam a evitar inchaços.
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